Lamentavelmente, ainda existem pessoas pensando
que ajudam a combater o crime de abandono de animais enchendo suas casas de
cães e gatos retirados das ruas. Mais gente ainda pensa em montar uma ONG ou
grupo e criar campos de concentração animal, proferindo discursos de absoluta
ingenuidade ou ignorância, pedindo dinheiro, prometendo às pessoas tirar todos
os animais das ruas.
Nenhuma ONG e nenhum grupo ou pessoa acabarão
com o abandono de animais abarrotando canis, gatis, quintais, casas, sítios
etc. Enquanto se recolhe apenas um, outros tantos são abandonados. É impossível
recolher todos os animais das ruas enquanto houver humanos irresponsáveis os
enxotando de suas vidas a cada minuto. O número de animais abandonados é
significativamente superior ao de adotados e assim os abrigos vão ficando cada
vez mais cheios.
A verdade é que estamos cansados de ver na
mídia casos de órgãos públicos, de instituições privadas, de grupos
independentes, de protetores com seus imóveis abarrotados de cães e gatos,
passando por extrema dificuldade com a superlotação, que gera a falta de
dinheiro, espaço, comida, medicamentos, produtos de limpeza, voluntários para
ajudar e, principalmente, pessoas para adotar.
Nós, humanos, somos os tutores dos animais e
temos a obrigação de cuidar deles, mas devemos fazê-lo de acordo com nossas
possibilidades, respeitando nossos limites e recursos.
O verdadeiro ativismo em defesa e proteção
animal deve ser embasado em amor, conhecimento, responsabilidade, respeito ao
semelhante, informação e constantes estudos e jamais pode ser praticado como um
hobby. O ativismo pelos direitos dos animais não comporta aventureiros,
desequilibrados, cobiçosos e arrogantes.
O objetivo central do ativismo praticado com
seriedade é o fim do holocausto animal nos laboratórios, no ensino, nos
rodeios, vaquejadas, circos, viveiros, matadouros etc, por meio da
conscientização de que os animais são seres sencientes (sentem dor, medo,
prazer, alegria e estresse, têm memória e saudade), têm consciência de si
mesmos, são sujeitos de direito e não simples objetos para fins econômicos,
religiosos, culturais, gastronômicos etc.
Contudo, todos nós, sem exceção, somos
responsáveis por eles. Nunca se deve jogar nas costas das instituições, das
ONGs e das outras pessoas a própria responsabilidade que se tem diante de um
animal precisando de ajuda. Certamente,
as organizações e os protetores independentes já estão com excesso de trabalho
a espera de abnegados colaboradores e não de pedintes acomodados que buscam
aliviar as suas consciências à custa dos sacrifícios dos outros. Qualquer
pessoa, em algum momento, pode sozinha socorrer um animal necessitado.
Os crimes contra os animais só se extinguirão
da sociedade quando ocorrer o despertar da consciência e o desabrochar do
conhecimento universal na mente humana de que tudo que vive tem uma alma com a
mesma importância e a mesma origem divina. Tudo e todos foram criados pelo
mesmo Criador e caminham juntos à luz da evolução e perfeição.
Luciano Buzatto
Ativista pelos direitos dos animais
Idealizador e fundador da União Cabreuvana Protetora da
Fauna e Fora
(UCAPROF)